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Alexandre Nobili
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março 07, 2009

A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica

Texto Recomendado

A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica por Walter Benjamin é um texto que aborda a questão da visão de obra de arte como peça única e, portanto, dotada de uma "aura", frente à emergente capacidade de reprodução artística e dos meios de produção de então que permitiam o acesso à execução e consumo das "obras de arte" à grande massa.

Anterior ao surgimento da televisão, este texto de 1936 mostra-se ainda atual em seus alicerces filosóficos.

É um excelente ponto de partida para repensarmos a fotografia como documentação versus a fotografia como expressão de uma arte, uma linguagem própria.

É a velha discussão se fotografia é arte ou não. Já um pouco desbotada pelo tempo essa discussão ganha novos contornos nos dias atuais com uma maior acessiblidade ao meio de produção (câmeras digitais, celulares com câmeras, custos mais baixos, rapidez em verificar o resultado do clic, menor necessidade de conhecimentos técnicos (controles automáticos), ...) e também com a possibilidade de publicação facilitada e multiplicada (internet, reprodução digital, envio de arquivos, ...).

Podemos contrapor: quantidade x qualidade, acesso x banalização, facilidade de uso x pouco conhecimento técnico, recursos de pós produção (photoshop, lightroom, ...) x menos cuidado na hora do clic... e por aí vai.

Estamos caminhando para uma banalização da fotografia, da imagem, ou estamos formando "leitores" mais atentos que poderão gerar uma nova geração capaz de utilizar e decodificar códigos semióticos com mais facilidade e propriedade? Vale lembrar que no período da repressão uma fresta por onde passava a voz silenciada nos jornais era a fotografia. Foram muitas as imagens que marcaram época e que desconstruiam o conteúdo textual das reportagens pois o código literal é muito mais decifrável do que o iconográfico. O texto dizia uma coisa que não era compatível com o que as imagens mostravam.

Nos dias de internet, conexões banda larga, câmeras digitais, sistema globalizado on line, etc; vale a pena refletirmos um pouco mais sobre o trabalho que estamos realizando. Qual o verdadeiro valor da obra que crio? Qual o espaço da "aura" artística? O que quero dizer com minhas fotos, o que elas estão dizendo e o que as pessoas lêem nas minhas fotos? Que estilo imprimo às minhas imagens?

Afinal de contas o que você usa para fazer a sua foto, o dedo ou a cabeça?! Uma foto não é apenas um clic, ou pelo menos não deveria ser.

Para tratar deste assunto, além do texto do Walter Benjamin, indico o livro de Roland Barthes - A Câmara Clara - que aborda a questão da comunicação, cultura e linguagem em fotografia.

Leia o texto. Reflita. Reveja suas fotos e a de outros fotógrafos. E, se puder, poste algum comentário aqui revelando se as questões abordadas sacudiram você um pouco. Vamos debater os caminhos atuais da fotografia como linguagem. Sugira outros temas. Dê sua opinião.

Boas leituras,
Alexandre

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